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Aventuras de um português na Alemanha

Der Fall des Heiligen Geist

Normalmente Portugal costuma ser relativamente ignorado nos média alemães. Exceto algumas pequenas notícias, Portugal não é uma fonte interessante de notícias para os Germânicos. Somos para eles um povo simpático, boa comida, sol... e falido. No entanto, nem mesmo para falar de falência se referem muito a Portugal: falam sempre da Grécia, Espanha, Itália e numa segunda liga Irlanda e Portugal.

Foi assim durante os últimos anos com a crise na zona Euro. Uma notícia aqui e ali, mas pouco mais, normalmente apareciamos nas estatisticas.

No entanto, há um caso que mereceu grande destaque na imprensa Alemã (e não só): o escândalo BES. Numa primeira fase claro que o que despertou foram as consequências nos mercados internacionais da "nacionalização". Mas as notícias não pararam aí... Os média Alemães ficaram curiosos com a dimensão do tentáculo dos Espírito Santo. Um pouco como surpreendidos como é que um pequeno banco à escala Europeia tinha tantos interesses e influência no mundo, desde o Luxemburgo a Angola, Líbia e Dubai, Miami e Venezuela. Num jornal aqui havia um artigo interessante chamado "Der Fall des Heiligen Geist" - traduzindo "A queda do Espírito Santo", onde se falava do poder dos Espirito Santo e das desavensas familiares que levaram ao descalabro do banco.

Admito que eu há 3 meses se me perguntassem a ordem de falências em bancos portuugeses diria Banif, Montepio, BCP, BPI, e ficaria por aí. BES nunca... Mas uma coisa que não me surpreendeu foi o fato de que de "Espírito Santo" este grupo tinha pouco. Não tenho nenhuma "inside information", mas por tudo que lia desde há anos na comunicação social viamos que o GES estava sempre envolvido em coisas menos claras: da ESCOM há mais de 10 anos que se falava em tráfico de armas, de diamantes, etc... Do poder do Ricardo Espírito Santo e do seu poder tambem. Não sabia da história do DDT (Dono Disto Tudo), mas lembro-me de seguir na altura a OPA falhada da Sonae e de ouvir o Belmiro de Azevedo falar de coisas esquisitas que se passavam... BES, PT, Ongoing... tudo ligado.

Nunca tive conta no BES, e fico com pena da queda de um grupo Português com história e importância. A ganância de uns às vezes faz disto... Fico também triste por mais uma vez Portugal ser notícia internacional (WSJ, FT, etc etc) por más razões.

O positivo foi que desapareceu um tentáculo que de alguma forma minava a nossa economia. Se dava com uma mão (financiamento à economia), tirava com a outra e com os pés... corrupção, compadrio. E ao acabar, a sociedade fica mais livre de mais um polvo. Ainda ficam outros (sociedades de advogados, por exemplo), mas de mais um livrámo-nos (depois da queda do Jardim Gonçalves e agora da PT).

Uma coisa me intrigou no entanto: com este escândalo todo, porque é que a maioria dos políticos e comentadores evitam falar do nome Ricardo Espírito Santo? Será que têm medo dele? Será que têm rabos de palha? Porque pelo mesmo tipo de comportamento crucificaram, usaram e abusaram do antigo "big boss" do BPN. Batem todos os dias na CMVM e no Banco de Portugal, mas no ex-DDT nix, nadie, rien... E por incrivel que pareça, dos únicos que publicamente se distanciou foi o Primeiro Ministro. Alguma esperança que se calhar se pode liderar o país e combater lobies. Honra lhe seja feita pelo menos nisso.

Para terminar, uma nota... Será que seria possível manter no futuro o Novo Banco em mãos de Portugueses? É que me deixa triste uma após uma as empresas portuguesas deixarem de o ser. Porque o coração ainda manda, e se nao for este a a decidir, entao fica apenas a razão, e esta manda as empresas para onde os acionistas querem e são mais eficientes. Foi assim com a Cimpor, foi assim com o Totta, foi assim com a PT, e será assim com muitas outras. E sem empresas nacionais, não há economia Portuguesa que sobreviva e seja realmente competitiva internacionalmente.

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