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Aventuras de um português na Alemanha

Para onde caminha o jornalismo?

Embora ainda seja novo, lembro-me do tempo em que os jornalistas correspondentes falavam in-loco dos assuntos quentes do momento. Quem não se recorda do famoso "Carlos Fino, RTP, Moscovo!" ou da cobertura em Bagdad da primeira guerra do Iraque pelo José Rodrigues dos Santos. Quem não se lembra dos comentários em geopolítica do Nuno Rogeiro ou dos comentários de metereologia do Antímio de Azevedo.

Falo disto a propósito de um título esta semana no Jornal Público "Alemães admitem reparações de Guerra à Grécia e um casal até já pagou a sua". Embora o conteúdo do artirgo seja um bocado menos sensacionalista que o título, ambos continham imprecisões factuais abismais. Coisas que qualquer jornalista que passasse meio dia na Alemanha concluiria que era mentira o que se quis concluir do artigo.

É verdade que na Alemanha se discute este assunto, de forma séria, profunda, com argumentos pró e contra. Mas o mainstream aqui, isto é, a opinião da maioria dos cidadãos, dos analistas, é de que a Alemanha deve tanto à Grécia pela WWII como a Grécia deve à Alemanha por empréstimos não pagos no século XIX pelo rei da Baviera (na altura também rei na Grécia).

Tento ser um cidadão atento ao que se passa à sua volta. Tento seguir as notícias em Portugal, na Alemanha, na Europa, e no mundo. Mas a obtenção de informação credível, conteúdo jornalistico de qualidade tem vindo a ser cada vez mais dificil de encontrar. A geração do jornalismo de twitter, em que se substima o in-loco, em que se liga mais ao que se escreve nas redes sociais, sem questionar, do que à investigação jornalística, em que os fatos reais são menos importantes do que especulações, estão a describilizar o jormalismo de forma tão abrupta que poderá em breve levar à sua sub-alternização enquanto fonte de informação. Nas televisões, os politólogos (reais conhecedores das realidades especificas) são substituidos por pseudo-comentadores (Marcelo Rebelo de Sousa, Constança Cunha e Sá, Marques Mendes), que mais não fazem do que conversa de café, falando de tudo como se fossem oráculos, demonstrando às vezes grau de ignorância que os devia envergonhar. Em Portugal, atualmente, é muito pouco o bom jornalismo que se faz, tal foi a forma leviana como se usam as novas tecnologias para fazer jornalismo. O importante deixou de ir a fundo às questões, mas ser sensacionalista, superficial, sem falar dos porquês.

Quando se fala por exemplo de jornalismo económico (área em que estou mais dentro), as imprecisões são às vezes tão graves (já perdi conta às trocas dos jornalistas entre os termos pontos percentuais de percentagem, só para exemplificar, ou mil milhões com milhões) que me deixam pouca vontade para os voltar a ler.

Voltando ao artigo do Público... A superficialidade com que se abordou o assunto das reparações de guerra nesse artigo mostra que se calhar há que voltar a apostar por parte dos media nos correspondentes, e ter se calhar também melhores jornalistas. Questionar as suas fontes é fundamental. Generalizar que o fato de um casal alemão yuppie da Grécia que decidiu entregar dinheiro como a parte deles da dívida como representar o estado de espírito de uma nação inteira, é levar o jornalismo para o nível bem perto do lixo. O jornalismo vive atualmente numa fase em que pensa que se sabe tudo do mundo através das novas tecnologias, mas que não sai do escritório para questionar a realidade.

Podia falar também da forma amadora e sensacionalista como se tem analisado nos media o evoluir da crise Portuguesa ao longo dos últimos 5 anos. Mas não me apetece :) Valha-nos o Professor Medina Carreira para dizer algumas verdades sobre a realidade do país.

 

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