Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Angela Merkel e os licenciados Portugueses

Esta semana muito se tem falado em Portugal das palavras da Chanceler Alemã sobre o pretenço excesso de licenciados no país (que surpresa...). Mas a questão que tem de se analisar é: que quis dizer ela com isso e porque o disse? Há 2 dimensões a ver: a primeira foi a mensagem que ela quis mandar para dentro (Alemanha), a outra um alerta para os países visados. Primeiro a mensagem interna... A Alemanha, neste ano letivo de 2014/2015, teve pela primeira vez mais alunos inscritos em Universidades do que em "Ausbildung", os chamados "cursos técnicos". Embora isso possa parecer positivo à primeira vista, na verdade não o é. Isto porque a indústria Alemã precisa exatamente desses técnicos, que cada vez mais trocam essa formação por cursos superiores (vêm como potencial de maior salário e com menos transpiração). Só como exemplo, em 2013 na Alemanha ficaram por ocupar 20.000 empregos técnicos, sim 20.000! Isto é, houve 20.000 posições que as empresas não conseguiram preencher porque simplesmente não havia pessoas qualificadas para os ocupar (não com canudo, falo em qualificadas naquilo que fazem!). Assim, a Merkel, ao dizer o que disse, foi em primeiro lugar um aviso ao país dela: estamos a criar demasiados diplomandos, quando a nossa economia precisa mas é de pessoas qualificadas técnicamente, i.e, com cursos técnicos especializados. A Merkel, estando num congresso de IT, quis alertar os agentes internos (estudantes, universidades, politécnicos para esse problema e alertá-los, usando para "assustar" o exemplo vergonhoso de Portugal e Espanha). Agora a mensagem dela para esses países: Não interessa aqui olhar (como foi analisado erradamente nos média nacional) para a percentagem de estudantes universitários comparativamente aos outros países. Não se pode comparar, simplesmente porque a estrutura dos empregos é diferente entre países. Todos sabemos (é de senso comum) que Portugal tem demasiados licenciados e em áreas sem qualquer perspectiva de emprego. Ao invés, temos de olhar mas é para que tipo de empregos o país pode oferecer. Não é a oferta que vai moldar a procura pelas empresas de empregos, mas sim o contrário. Se acham que a economia Portuguesa apenas oferece empregos menos qualificados, então primeiro há que mudar a indústria, e sim depois arranjar a mão de obra que se adeque aos mesmos. Pensar de outra forma é assobiar para o lado e fazer-se de cego. E o maior cego é aquele que não quer ver. Por fim, olhemos para quem em Portugal comentou: tivemos claro os Dignissimos reitores que, vergonhosamente, preferem defender o seu interesse pessoal, e disseram que ainda precisamos de mais licenciados (para quê, se não há empresas para os absorver), os políticos a confundirem pessoas qualificadas com pessoas licenciadas (um técnico pode ser bem mais qualificado do que um licenciado), e os pseudo-comentadores das TVs a falarem contra porque sim (são literalmente incendiáros com agenda própria). Concluindo: a Merkel tem toda a razão nas palavras que disse, e o recado é para a Alemanha, e para os países do sul. A Alemanha,tem os seus licenciados todos empregues, porque tem empresas que os absorvem, mas não encontra mão de obra dentro de portas para funções técnicas, porque simplesmente as novas gerações aqui pensam à tuga (vamos tirar curso onde podemos ter vida mais fácil. Isto porque a vida na realidade nunca lhes saiu do couro.. saiu do couro dos pais).

sinto-me:
publicado por bruno@deutschland às 20:40
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