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Aventuras de um português na Alemanha

Em casa onde não há pão... todos ralham e ninguém tem razão

Vamos começar pelos factos: Portugal está falido.

Devido aos desvarios de sucessivos Governos desde o 25 de Abril, com principal incidência nos últimos 20 anos, o país foi perdendo competitividade, sem que o estilo de vida acompanhasse esse decréscimo. Antes pelo contrário, os gastos das famílias íam crescendo, e o endividamento também (o país desde o 25 Abril que gasta sempre mais do que produz!!!!)

Face a esta realidade, a que se junta um envelhecimento da população e a uma crise internacional, atingimos um estado de quase bancarrota. Repito para quem não percebe: BANCARROTA. Assim, tivemos de recorrer à ajuda de terceiros (a nosso pedido!). E claro que agora temos de recuperar em 5 anos o que fizemos de asneiras em 20. (não vale a pena falar das causas, como por exemplo os desvarios de investimentos improdutivos de sucessivos governos, a que se junta lobbies e corrupção.)

Não entender que o país vai ter de regredir em termos de estilo de vida, para se nivelar mais à realidade estrutural, é no mínimo fazer-se de burro e assobiar para o lado. Melhor ou pior, mais rápido ou mais devagar, o governo atual tem feito o correcto. Pensar que se pode sair do buraco sem se sujar totalmente é ser idiota (isto aplica-se principalmente a todos os que dizem que há soluções miracolosas alternativas).

Medidas impopulares implicam muita coragem, e nisso o minstro das finanças e o primeiro ministro têm tido. Goste ou não se goste, eles estão a fazer o que ninguém até hoje fez desde o 25 de Abril: pôr o país em ordem!!!

 

Portugal tem de mudar de paradigma, mudar do tipo de políticas e de políticos que nas duas últimas décadas enterraram o país e as gerações futuras. E é com muito espanto que vejo na televisão os mesmos agora a criticarem coisas que quando foram poder nunca fizeram. Deviam ter vergonha. Nomeadamente:

- oposição: A oposição em Portugal vive para dizer do contra. Os representantes do bloco de esquerda, quando falam, fico às vezes a pensar se terão sequer terminado o secundário, tal são as banalidades e estupidez que dizem. O PS, depois de ter enterrado o país, acha que agora vai de magia resolver os problemas do país (como se o desemprego e crescimento se legislassem por decreto). O Seguro é um político fraco, sem nenhuma carisma. O PCP, bem, aprecio verdadeiramente o facto de serem convictos na sua ideologia, no entanto dirira que estão mortos face ao mundo do século XXI. Assim, antes o Pedro Passos Coelho, que embora não seja o melhor do mundo, tem coragem e tem demonstrado ter carisma (concordo em geral com a forma como tem gerido a crise, embora discorde de algumas medidas e da lentidão na sua implementação)

- comentadores políticos: uma moda em Portugal. Agora o que dá dinheiro é ser comentador. Sócrates (como é possível haver tanta cara de pau para depois de ter afundado o país e fugido para o estrangeiro, ainda volta a Portugal), Bagão Felix (acho que ele como está quase na reforma se preocupa mais com o dinheiro que vai deixar de ganhar do que com o país), e muitos outros políticos que entrentanto ficaram "desempregados" enchem as televisões de verdadeira "conversa de cafe" - falar mal é fácil e claro que as suas audiências aumentam quando falam chavões e outras coisas que possam ser capa de jornal no dia seguinte. PS: gosto muito do Medina Carreira, é realista!

- jornalistas: pouco referidos, são na minha opinião grandes responsáveis pelo nível da nossa política: não sabem fazer perguntas aos intervenientes, não têm conhecimento de fundo dos assuntos que lhes permitam questionar algumas afirmações absordas dos seus interlocutores (políticos ou não), e não fazem jormalismos de investigação, que verdadeiramente esclareçam os cidadãos e tornem as pessoas mais informadas. PS: excepção para jornalistas como a Fátima Campos Ferreira ou Judite de Sousa, por exemplo)

 

O que quero concluir com este meu "testamento" é que os Portugueses não se devem deixar iludir por soluções mágicas para os problemas crónicos do país. A solução é com 100% de certeza dolorosa, e dizer o contrário ou é não perceber nada de de nada, ou então querer fazer os outros de estúpidos. Este governo deve governar, e ser julgado no fim do mandato pelo trabalho feito. Se for bom, deve continuar, senão vê-se se há alternativa viável (e de momento não há de certeza)

Mas o desemprego continuará alto por alguns anos, bem como a performance económica baixa, pois o ajustamento é (e bem) forte. O país está em quimioterapia, e acredito que quanto mais forte for a dose agora, mais rápido sairemos do abismo e em 10 anos estaremos todos um pouco melhor.

 

Reflexão de quem consegue analisar as coisas a 2500 km de distância, sem nunca perder o contacto com a realidade do país.

 

PS: Não se tente usar o argumento fácil de atirar a culpa da crise para a Alemanha ou para o FMI. Isso só pode ser dito por quem é irresponsável e não tem dois dedos de testa par saber que quem fez a me$%a fomos nós. Se queremos a Alemanha longe, então que não lhes tivessemos pedido dinheiro emprestado.

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