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Aventuras de um português na Alemanha

Quem está a matar o pastel de nata?

Depois de Pedro Alvares Cabral ter descoberto o Brasil, parece que portugueses de repente descobriram nova mina de outro...o pastel de nata. Os turistas adoram, os portugueses adoram, e por isso, agora, até cafés franchisados dedicados a ele proliferam pelo país.

pastel de nata.jpgMas nem tudo o que reluz é ouro... Cada vez mais os cafés trocam o pastel de nata feito por pasteleiros pelo congelado. Chamar a esse pastel de nata é no mínimo uma ofensa a quem aprecia. A massa folhada espessa e que se desfaz mal se dá uma trinca é o primeiro sinal de que é "made in congelador". Os bordos queimados e o pouco recheio não deixam enganar.

Eu tenho de dizer que sou passado por pasteis de nata. A primeira coisa que faço sempre que chego ao aeroporto do Porto e espero por boleia é pedir um café e uma nata. Mas no aeroporto do Porto agora...só congelado. E os cafés, visto que têm mais margem de lucro e menos trabalho com...congelados, toca lá a vender...congelado! Já começam a ser mais os locais com pasteis de nata congelados do que os de pasteleiro. E isto para mim é uma grande fraude. Enganam-me a mim (à minha barriga desejosa de uma boa nata), mas enganam acima de tudo quem nunca provou: os turistas. Dizer (tal como num franchising que tem nome de nata e outros que proliferam nos shopings) que aquilo são pasteis de nata é chamar-me tanso, é matar a nossa culinária, a nossa cultura, as nossas tradições... apenas porque lhes dá dinheiro rápido, sem pensar que no futuro pode na verdade virar-se contra eles.

Desconsolado no aeroporto, resta-me então esperar pelo dia seguinte e ir à pastelaria do bairro para matar a a verdadeira saudade.

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