Domingo, 13 de Setembro de 2015

A Europa num mundo cor de rosa

Quem passa hoje em dia nas ruas de Frankfurt às vezes parece que estamos num país em crise. O crescente número de migrantes que diambulam de forma galupante na cidade, e por toda a Alemanha em geral, começa a tomar proporções que os está a começar a incomodar os alemães, e ao qual os políticos parecem estar a entrar em pânico pela incapacidade de controlar a situação. Se até há 2 meses o problema era principalmente com Romenos e Bulgaros, que vieram para a Alemanha sem qualquer possibilidade de integração, temos agora os refugiados e migrantes dos países fora da EU.

Milhares de migrantes entram todos os dias na Alemanha. Vêm porque fogem da guerra (que nós ajudámos a fazer...), mas muitos, e se calhar a maioria, vêm dos balcãs, do Paquistão, e de outros países que não estão em guerra. Ao dizerem que todos os emigrantes eram bem vindos na Europa, os poíticos de forma geral passaram a mensagem que todos poderiam ficar aqui. Então... toca a bombar para o continente da Esperança, onde se pode ter uma vida com futuro.

Mas esses mesmos políticos esqueceram-se que existem milhões de refugiados atualmente no mundo, e esse pequeno detalhe está a criar agora o caos. A Europa não tem capacidade de absorver em tão pouco tempo uma tal quantidade de pessoas, que são culturalmente diferentes, que não têm qualificações muitas vezes, e alguns nunca terão capacidade de integração na sociedade e no mercado de trabalho.

Quem pensou que estes migrantes, jovens, com potencial, resolveria o problema do envelhecimento da população do velho continente e da falta de emprego técnico, esqueceu-se que ao escancarar as fronteiras, vem tudo... desde os desejados, aos indesejados.

Os media em geral passaram a ideia que os Alemães queriam os emigrantes. As sondagens monstram que a Alemanha quer ajudar os emigrantes. Mas quem não responderia sim à questão "Acha que a Alemanha deve ajudar os migrantes"?. A realidade é que a generalidade dos Alemães acha que a política seguida levará a consequências a longo prazo imprevisíveis na socidade alemã, levarà ao aumento dos extremistas (extrema direita e extrema esquerda), e ao aumento da criminalidade, na medida em que o país nao conseguirá integrar a maioria deles.

Os prórpios emigrantes que atualmente estão na Alemanha estão contra esta avalanche e a forma como está a ser gerida a situação, pois receiam que os Alemães os ponham no mesmo saco.

Os EUA e a Europa acharam, quando patrocinaram a "Primavera Árabe", que tudo seria perfeito: bombardear com drones, sem precisar de por tropas no terreno... Erro crasso (não aprendemos nada com a história... achamos que todos querem viver com os ideais europeus. Errado). E se durante 2 anos a realidade estava longínqua, agora bate-nos à nossa porta e de repente... temos um problema. Mas esse problema estava cá há muito tempo: barcos com refugiados a afundar há mais de um ano que existiam... Quantas crianças morreram durante a guerra na Síria? Ninguem quis saber, estava longe. Mas quando essa morte ocorre na nossa costa, entao temos um problema...

Temos uma cambada de políticos incompetentes, que não têm qualquer noção de geo-estratégia, que tomam decisões sem pensar nas consequências. Isso tem acontecido na guerra no norte de África, aconteceu na Ucrânia, acontece agora com a gestão da crise dos refugiados.

E aqueles que acham que maior integração Europa é o remédio de todos os males, está enganado. Somos diferentes dentro da Europa, pensamos diferentes. As divergências neste caso dos migrantes mostram isso. E os políticos Europeus parecem quere à força impor uma integração que na realidade, a maioria dos cidadãos não quer.

A questão dos refugiados poderá vir a acabar muito mal... de momento o descontentamento dos cidadãos na Aleamnha não é visivel, mas está cá, todos os dias falamos dele nas ruas. E há que não esquecer um detalhe. A Alemanha não vai continuar a crescer, dado a desaceleração da China. E quando o desemprego assolar a Alemanha, bye bye a boa vontade com os refugiados.

publicado por bruno@deutschland às 19:30
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015

Porque não sou Charlie...

As reações emocionais após 12 pessoas terem sido selvajamente mortas por Jihadistas em Paris levou a que muitos dissessem que todos éramos "Charlie". Pois bem, eu não sou Charlie, e justifico isso usando as declarações do Papa Francisco esta semana sobre o tema: "Temos obrigação de falar abertamente,de ter essa liberdade, mas sem ofender."

Olhando friamamente para o assunto, vemos que o jornal Charlie Hebdo é na verdade um jornal radical que sempre vendeu à custa de gozar e ridicularizar de forma provocatória o islão, sem respeitar os valores dos outros. Eu posso não concordar com alguém , mas não posso abusar da liberdade de expressão para relevar essa discórdia. Algumas pessoas acham que democracia e liberdade de expressão é poder dizer tudo que se quer sem sofrer consequências do que fazem. Mas isso é, na realidade, não democracia, mas sim anarquia: a democracia tem regras, por mais que custe a muitos.

No Ocidente sofremos desde há séculos do síndroma do "Ocidentocentrismo", pois queremos que todos sigam os mesmos valores que nós, acreditando no "mundo perfeito". Esse mundo utópico não existe no entanto, o mundo real é feito de diferentes culturas, diferentes estágios cilivilzacionais, diferentes crenças e formas de reagir aos problemas. Quando alguém se sente ofendido, são diversas as formas de reagir: alguns ignoram, outros processam judicialmente, outros darão um "excerto de porrada", outros atirarão um sapato... e outros atiram para matar!

A atuacão na Primavera Árabe, a guerra no Iraque e no Afganistão, etc... tem e teve em teoria princípios nobres e que parecem fazer sentido lógico: trazer democracia a esses povos. Mas a realidade teve efeitos totalmente contrários. Não só não aconteceu, como criou e aumentou guerras civis, mortes em massa, fome. Trocar um ditador (por mais tirano que seja) por mais miséria ainda faz pensar: "Pior se calhar a emenda que o soneto".

Os atentados de Paris foram feitos por extremistas, pessoas para quem a morte é uma forma "normal" de reação ao que discordam. É repugnante e revoltante, mas infelizmente existem e não apenas jihadistas: há extremistas islamistas, extremistas cristãos, ou desligados simplesmente da religião: basta pensar no ataque na ilha de Utøya, os vários atentandos nos EUA em escolas, ou movimentos independentistas na Europa e no Mundo em geral.

Voltando ao caso de Paris, pergunto: Na perspectiva de um cidadão do Afganistão ou Siria, que sofre com a guerra todos os dias, lida com a morte todos os dias (dezenas ou centenas de pessoas), e ainda se sente "gozado" na sua religião, porque ficamos admirados por eles usarem atentados como ato banal de vingança? Talvez uma das únicas armas de arremeço que têm ao seu dispôr e com as quais convivem?

Ver isto como atentado à liberade de imprensa é ver a questão de forma minimalista. Isto tem mais a haver com a forma como se vê o mundo. E nós, ocidentais, não temos sabido respeitar essa diferença. Quase sempre atuamos em nome de causas que muitos desses povos não "compreendem" nem sabem viver com elas. É como espicassar um ninho de vespas: fazemos isso e depois ficamos chocados quando há "retaliação" por parte deles.

Ver uma guerra na TV parece inofencivo, é longíquo, ignoramos enquanto jantamos felizes e em paz em nossas casas com a família a ver telejornais. Mas quando essa cruel realidade nos bate à porta, aí acordamos e ficamos em choque. E se relembrarmos essas imagens da TV, vemos que na verdade somos tão bárbaros como eles, mas usando drones, em vez de Kalashnikovs.

Quanto vale a vida de um cidadão ocidental, pergunto? Só por curiosidade, na mesma semana em que morreram 15 pessoas em França, morreram milhares num genocídio na Nigéria. Foram poucos os meios de comunicação social que falaram disso, afinal morreram bem mais do que 12 jornalistas. Talvez porque é longe... são pretos. A reação dos media ao ataque de Paris foi na verdade uma reação de medo por parte dos jornalistas. Foram mais eles do que dos cidadãos comuns a manifestar a sua apreenção, porque vêm agora vêm que o abuso da liberdade de experessão pode ser mais dolorosa do que um banal e inconsequente processo difamatório em tribunal..

Por tudo isto, e muito mais digo com bastante certeza: "EU NÃO SOU CHARLIE".

sinto-me:
publicado por bruno@deutschland às 19:06
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