Domingo, 28 de Junho de 2015

Viagem pelo maravilhoso mundo do empreendedorismo Americano

Três cidades... muitas start-ups... e dólares a voar. Chicago, São Francisco e Nova York foram os destinos da minha aventura pelo maravilhoso mundo do empreendedorismo americano. Partindo da Alemanha juntamente com o Lionel, um outro empreendedor Alemão, juntámo-nos a um grupo de empreendedores israelitas (Zell) em terras do Tio Sam.

CHICAGO (31 de Maio a 4 de Junho)

Fazendo uma pequena escala em Detroit, este foi o primeiro destino da viagem. Chicago, em tempos terra de Gangsters, surpreendeu-me imediatamente positivamente pela sua beleza arquitetónica e austeridade nos seus arranha-céus.

Primeiros dias de visita incluiram conversa informal e apresentação com Sam Zell, o fundador do programa Zell e um dos homens mais ricos dos EUA na Kellog School of Management. Seguidamente tivemos palestras de professores da Northwestern University, incluindo casos de estudo da estratégia recente da McDonalds e do Professor e Neurocientista Moran Cerf que, de forma magistral, mostrou-nos o que se faz de momento na medicina Americana para compreender e tentar manipular o cérebro (para o bem... e para o mal). Nota para o fato de ele trabalhar de momento em research com a Google e o Facebook (medo...). No final do segudo dia tivemos o prazer de assistir a uma conferência com John Chanbers, CEO da Cisco. Frase a reter "Em 10 anos todas as empresas no mundo serão tecnológicas" - uma referência à Internet of Things.

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SÃO FRANCISCO (4  a 9 de Junho)

Voando durante 5 horas, a Califórnia, na costa Oeste, foi o nosso segundo destino. Acabádos de aterrar, apanhámos diretamente um shuttle para Palo Alto em direção à Google, no meio de um calor enorme. De todas as empresas que visitámos, esta era de longe a mais impressionante pela dimensão. Muitos edifiícios espalhados por Palo Alto, trabalhadores a jogarem beach volley no centro do campus sem t-shirt e com biquinis, piscinas para relaxar nos jardins, e uma cantina com pelo menos 6 restaurantes foi o que primeiro saltou à vista. No meio de muitos nerds, tivemos possibilidade de ver alguns dos principais icons da empresa dona do Android, Street view e companhia. Curiosidades: a Google passou há pouco a pagar um salário maior a quem faz desporto: sim, não paga meramente o ginásio, compensa sim com maior salário... Igualmente, sabiam que a Google está no local onde antes esteve a Adobe? E que o nome acrobat reader surgiu por causa de umas estátuas de acrobatas em frente à janela do fundador da empresa?

Logo a seguir vistámos e conversámos com uma das partners da Venture Capital DFJ, que tem ou teve em portfólio entre outros a Box, Skype, Uber e Baidu. Aqui começou o meu primeiro contacto com os milhões (e biliões) do maravilhoso mundo das start-ups americanas. Final do dia ainda apresentação do Farol City Guides perante o Tech Aviv e visita à start-up Beepi, uma plataforma de revenda de carros que já vai na segunda ronda de investimento (mais de 30 mio. no total até agora).

Outro dia, mais uma carrada de empresas. Com um calor cada vez maior, fomos recebidos na Uber pela COO da empresa. Extraordinária a forma como eles querem desenvolver o seu modelo de negócio ameaçando mercados impensáveis: para alem dos taxis, há também entrega de comida, e outros mais exóticos, como o aluguer por alguns minutos de "gatinhos abandonados", que podem ficar com a pessoa, se ela gostar. A Uber foi criada já a pensar nos confrontos com o status-quo, não tivesse o fundador anterior experência numa start-up que teve casos de justiça igualmente. Curiosidade, o primeiro caso da Uber ocorreu logo 10 meses após a fundação (impensável na Europa...). A equipa legal da empresa é bastante grande. Honeybook, StubHub foram os restantes destinos.

O fim de semana foi livre. Descobrir a cidade de bicicleta foi nosso objetivo. 45Km, atravessando a ponte Gonden Gate (maior e mais ventosa do que a 25 de Abril), foram 2 dias de descanso entre visitas e festa.

Segunda-feira, dia de Facebook. Com instalações a lembrar um cenário das filmagens das telenovela, não falta lá nada aos trabalhadores. Tudo em open-space. No entanto, a conversa com um senior managers permitiu perceber que eles na verdade receiam a liderança futura da empresa no mercado, em termos de competitividade e novos produtos. A ver vamos se foi apenas sensação. Após Facebook, tempo para ensino: Stanford University... um sonho!

Palantir (a segunda start-up fora de bolsa mais valiosa do mundo, a seguir à Uber) mostrou-nos o que o cybersecurity nos prepara no futuro. A Gogobot foi o destino seguinte (aos 3 meses de existência já tinham 4 milhões no bolso - sem produto nem mercado - e entretanto já conseguiram mais 2 rondas de 10 e 14 milhões... pinuts, começei eu nesse momento a pensar)

Airbnb é o mundo das viagens, de tal forma que as salas de reuniões são réplicas de quartos e casas de pessoas que por todo o mundo recebem os milhões de viajantes que alugam o seu cantinho para estadia. Uma visita de encher o olho, mas com pouco entusiasmo na minha perspetiva. Depois a aceleradora de empresas Y Combinator e a TechShop foram as últimas paragens na costa Oeste. Nesta última construímos os nossos próprios robots de guerra e fizemos uma competição entre as equipas (a minha foi até às meias finais, falhámos num pequeno detalhe de fisica! E eu detesto perder...).

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 NOVA YORK (10 a 14 de Junho)

O jetlag começou a pesar nesta viagem finalmente. Depois de -6 horas em Chicago e -9 em S. Francisco, a viagem noturna para Nova York fez o relógio andar 4 horas para frente de forma mortal para mim :). Contando com as poucas horas dormidas durante os 10 dias anteriores, muitos km no pelo e as imensas festas, o meu relógio biológico começou a ficar sem pilhas. O nosso hostel ficava no central Park 63 West St. (viva o luxo). Aterrados às 6 da manhã hora local, tivemos de sofrer até ao checkin as 14:30. Valeu o Starbucks e os bancos do central Park.

As start-ups dos milhões continuaram, mas aqui numa versão mais cosmopolita e refinada, não estivessemos nós na Big Apple. E aqui o mundo dos engravatados mostrou que o dinheiro voa em Manhatan. Outbrain, Interlude e Spark Capital foram as visitas empresariais. Mas o melhor estava para chegar: uma visita exclusiva a Wall Street ao NYSE, onde tivemos o privilégio de assistir ao vivo a um IPO e ao tocar do sino. Pude estar tete-a-tete em direto com a CNBC e estar lado a lado com os traders - um sonho! Parte da tarde, foi a vez da Siverstein Properties. Para quem não sabe, são a maior imobiliária de NY e os donos do World Trade Centre. Foram eles que venderam 6 semanas antes do 11 de Setembro as torres gémeas (coincidência?). O marido da filha do dono levou-nos ao mundo dos milionários mundiais. Visitámos um dos apartamentos modelo da torre 4 do WTC, em que o T2 mais barato custa uns meros 4 milhões de dólares... Tempo ainda para ver o memorial do 9/11 e uma vista priveligiada do andar 53 da torre do WTC. A cereja em cima do bolo... jantar no apartamento da Edit Harel, com o Empire State Building e a Fredom Tower em background. (Na sala uma cópia do "Girassóis" de Van Gogh, só para se ter ideia da luxúria desta cidade).

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FAXIT

A realidade de empreendedorismo nos EUA é um mundo à parte. A Europa está a biliões de anos luz do que se passa lá, a mesma distância que o dinheiro (e falamos de muito dinheiro...) permite. O mundo das empresas aqui jorra dólares, não se sabendo bem de onde ele vem. Financiar uma start-up é quase tão simples como encontrar um pastel de nata num café em Portugal. As start-ups aqui focam-se no produto. Os clientes vêm muitas vezes através dos contactos dos investidores. Investidores esses que raramente poe menos de 4 milhões como primeira ronda, muitas vezes sem qualquer produto nem teste. Os empreendedores nos EUA também são diferentes, mais arriscados, dispostos a alterar em 180 graus o modelo de negócios em poucos meses, até encontrar aquele que pode singrar. Mas à mesma velocidade podem ser despedidos pelos investidores, e bye-bye fundadores... E por mais que muitos o digam lá, a bolha está lá. O princípio é maximizar a valorização das start-ups e depois despejá-las no NASDAQ. Sem modelos sustentáveis, a capitalização das mesmas nada tem a haver com as contas nem o futuro previsível. É assim o maravilhoso mundo das start-ups em terras do Tio Sam.

Aprendi imenso nestes 14 dias em termos de como fazer negócios, numa agenda muito preenchida, conheci pessoas inspiradoras, contactei com alguns milionários, e com alguma futilidade também. E muita festa... muiiiita loucura em 14 dias mal dormidos. Com quase tudo pago, graças a uma pessoa excecional: Liat Aaronson.

Uma experiência espetacular, onde muito ficou por dizer, e cujas memórias não irei esquecer tão cedo.

 

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sinto-me:
publicado por bruno@deutschland às 20:41
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