Quarta-feira, 23 de Setembro de 2015

Porque paguei eu para votar no dia 4?

Após refletir bastante, decidi ir a Portugal votar dia 4 de Outubro. 400 Euros foi o preço do meu voto, "patrocinado" a peso de ouro pela Lufthansa. A minha consciência diz-me que o devo fazer, enquanto cidadão atento e revoltado com a incompetência dos políticos em geral.

Tal como muitos outros Portugueses, fui forçado a sair do país e procurar melhores condições noutro país. Portugal não me conseguia oferecer qualquer futuro para quem tem ambição na vida. Até aqui é uma história como de muitos outros milhares de Portugueses. Mas se disser que mudei para a Alemanha em... 2007, então temos de contar uma nova história, pois a minha decisão veio bem antes da crise. Na verdade, eu tinha um emprego em Portugal, numa das maiores empresas portuguesas. Tinha posição de grande responsabilidade, o trabalho era mais que muito. Não tinha no entanto algo importante: perspetiva profissional, e reconhecimento do meu trabalho. Algo importante para mim.

Ao contrário do que muitos pensam, a crise não apareceu apenas há 4 anos. As deficiências estruturais do País, com um setor produtivo quase inexistente, maus gestores e muita falta de culto da meritocracia, são alguns dos fatores que nos últimos 20 anos nos levaram ao declínio. O país viveu durante muitos anos acima das suas possibilidades, muito assente no consumo... um modelo totalmente insustentável. Um mercado de trabalho inundado de licenciados que não tinham empresas para os absorver, entre muitos outros problemas estruturais, era uma bomba relógio pronta a explodir.

Após a intervenção da Troika, Portugal tem devagarinho caminhado no sentido correto. O País, se quer ser competitivo, tem de reforçar em primeiro lugar o setor empresarial, de forma a criar produção e produtos de valor acrescentado. Isso vai criar naturalmente condições para criar empregos com salários bons, sem colocar em causa a competividade das empresas. Depois disso sim, o consumo pode crescer de forma sustentável, sem significar obrigatóriamente um aumento exponencial das importações.

O que o PS promete nesta campanha é exatamente voltarmos ao modelo dos últimos 20 anos. Assentar a economia no consumo irá inevitavelmente aumentar as importações, pois as nossas empresas não produzem os bens que estão associados a essa procura (iphones, carros, eletrodomésticos, etc...). Medidas como reduzir o IVA da restauração (como se o setor fosse mais que muitos outros), ou outras como eliminar portagens em algumas scuts (estou a ter um deja vu de PPPs), é estratégia errada, muito errada. É querer começar a construir a casa pelo telhado, para no curto prazo parecer bonito aos olhos de todos. Mas mais tarde ou mais cedo, a casa volta a cair.

Assim, prefiro o caminho de construir a casa corretamente, a começar pelas fundações, depois as paredes, e daqui a uns anos sim, poderemos aspirar a ter um telhado e uma casa bonita.

Não achando nennhum político especialmente carismático, escolho aquele que acho que é o que pode voltar a dar-me vontade de regressar um dia a Portugal. Dia 4 voto abertamente em Passos Coelho. Não poderia jamais votar em António Costa, que foi um traídor perante o seu antecessor, que não tem conhecimento dos dossiers, que promete muito, e que tem tiques de centralismo (ter sido presidente da capital só traz más companhias). Querer repetir receitas falhadas só pode ser de "burro" (sem querer ofender o senhor). E normalmente barrigas grandes signifca muito comer e pouco trabalho :P

O meu voto vale 400 euros, assim me disse a Lufthansa. Votar é um dever cívico, um exercício que nos obriga a todos a refletir, sem tabus. Há muito que não tinhamos umas eleições em que realmente se falou em progamas em concreto. E ao decidir, temos de pensar naquele que achamos que em 5 a 10 anos poderá trazer o país ao de cimo outra vez. E de todos, o da coligação é na minha humilde opinião o mais consistente. Ao longo dos últimos 4 anos (de forma geral), tem feito um bom trabalho. Podia ser melhor? Sim, podia. Mas a alternativa em Portugal não existe. O António Costa é na minha opinião um produto de marketing político e de suporte dos media instalados em Lisboa.

Resta-nos esperar por dia 4... Lá nos veremos!

sinto-me:
publicado por bruno@deutschland às 21:27
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Domingo, 13 de Setembro de 2015

A Europa num mundo cor de rosa

Quem passa hoje em dia nas ruas de Frankfurt às vezes parece que estamos num país em crise. O crescente número de migrantes que diambulam de forma galupante na cidade, e por toda a Alemanha em geral, começa a tomar proporções que os está a começar a incomodar os alemães, e ao qual os políticos parecem estar a entrar em pânico pela incapacidade de controlar a situação. Se até há 2 meses o problema era principalmente com Romenos e Bulgaros, que vieram para a Alemanha sem qualquer possibilidade de integração, temos agora os refugiados e migrantes dos países fora da EU.

Milhares de migrantes entram todos os dias na Alemanha. Vêm porque fogem da guerra (que nós ajudámos a fazer...), mas muitos, e se calhar a maioria, vêm dos balcãs, do Paquistão, e de outros países que não estão em guerra. Ao dizerem que todos os emigrantes eram bem vindos na Europa, os poíticos de forma geral passaram a mensagem que todos poderiam ficar aqui. Então... toca a bombar para o continente da Esperança, onde se pode ter uma vida com futuro.

Mas esses mesmos políticos esqueceram-se que existem milhões de refugiados atualmente no mundo, e esse pequeno detalhe está a criar agora o caos. A Europa não tem capacidade de absorver em tão pouco tempo uma tal quantidade de pessoas, que são culturalmente diferentes, que não têm qualificações muitas vezes, e alguns nunca terão capacidade de integração na sociedade e no mercado de trabalho.

Quem pensou que estes migrantes, jovens, com potencial, resolveria o problema do envelhecimento da população do velho continente e da falta de emprego técnico, esqueceu-se que ao escancarar as fronteiras, vem tudo... desde os desejados, aos indesejados.

Os media em geral passaram a ideia que os Alemães queriam os emigrantes. As sondagens monstram que a Alemanha quer ajudar os emigrantes. Mas quem não responderia sim à questão "Acha que a Alemanha deve ajudar os migrantes"?. A realidade é que a generalidade dos Alemães acha que a política seguida levará a consequências a longo prazo imprevisíveis na socidade alemã, levarà ao aumento dos extremistas (extrema direita e extrema esquerda), e ao aumento da criminalidade, na medida em que o país nao conseguirá integrar a maioria deles.

Os prórpios emigrantes que atualmente estão na Alemanha estão contra esta avalanche e a forma como está a ser gerida a situação, pois receiam que os Alemães os ponham no mesmo saco.

Os EUA e a Europa acharam, quando patrocinaram a "Primavera Árabe", que tudo seria perfeito: bombardear com drones, sem precisar de por tropas no terreno... Erro crasso (não aprendemos nada com a história... achamos que todos querem viver com os ideais europeus. Errado). E se durante 2 anos a realidade estava longínqua, agora bate-nos à nossa porta e de repente... temos um problema. Mas esse problema estava cá há muito tempo: barcos com refugiados a afundar há mais de um ano que existiam... Quantas crianças morreram durante a guerra na Síria? Ninguem quis saber, estava longe. Mas quando essa morte ocorre na nossa costa, entao temos um problema...

Temos uma cambada de políticos incompetentes, que não têm qualquer noção de geo-estratégia, que tomam decisões sem pensar nas consequências. Isso tem acontecido na guerra no norte de África, aconteceu na Ucrânia, acontece agora com a gestão da crise dos refugiados.

E aqueles que acham que maior integração Europa é o remédio de todos os males, está enganado. Somos diferentes dentro da Europa, pensamos diferentes. As divergências neste caso dos migrantes mostram isso. E os políticos Europeus parecem quere à força impor uma integração que na realidade, a maioria dos cidadãos não quer.

A questão dos refugiados poderá vir a acabar muito mal... de momento o descontentamento dos cidadãos na Aleamnha não é visivel, mas está cá, todos os dias falamos dele nas ruas. E há que não esquecer um detalhe. A Alemanha não vai continuar a crescer, dado a desaceleração da China. E quando o desemprego assolar a Alemanha, bye bye a boa vontade com os refugiados.

publicado por bruno@deutschland às 19:30
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